"Como fazes para seres tão presente nas minhas hora sainda que te não encontre nos meus dias"
do Xilre :)
Evolução. Alegria e optimismo. Linhas sem fim a ligar extremidades dos futuros. Labirinto. Nascimento e morte. Lua. Amor. Yin Yang. Lágrimas. Vida. Búzios. A viagem da alma. Da minha. Descrições de uma Espiral à procura de si própria e dos outros. Porque a mente e o coração confundem-se num corpo onde transborda sentimento.
"Como fazes para seres tão presente nas minhas hora sainda que te não encontre nos meus dias"
do Xilre :)
Encontrámo-nos numa manhã que ainda mal anunciava a primavera. Sol e Vento. Trocamos banalidades. Estás parada à minha frente. Olhos secos. Espero. Alteram-se e ficam húmidos. Nunca te vi assim. (Nunca deixaste?). Dou dois passos. Os teus olhos ficam frios (ou receosos?), mas não te mexes. Dou mais um passo e tu oscilas. Coloco a minha mão no teu braço e puxo-te suavemente. Olhas-me rapidamente antes de te fundires em mim. Abraço-te e surpreendo-me por me pareceres tão pequena, tão frágil. Parece-me que mil moléculas tuas se evaporaram para te encaixares. Tu, tão sólida, tão forte, tão sarcástica. Mantenho-me firme enquanto os teus ombros saltitam, e ignoro onde estou, o que quero, o que consegui. Penso "Finalmente" mesmo que seja errado.
Para além da extensão de voz limitada da Carolina Deslandes (e fraca interpretação), realmente só gosto de músicas que vão de encontro aquilo que sou e esta tem um lado demasiado egocêntrico para o que gosto e me identifico.
É um erro achar que as pessoas procuram nos outros os nossos beijos. Pelo contrário, no máximo procuram outros completamente diferentes para conseguirem não pensar na pessoa de quem querem fugir (ou encontrar de novo) .
"Tu não escolhes a chuva que te vai ensopar até aos ossos quando saís de um concerto".
Julian Cortazar
Acabei de me aperceber fazendo uma rápida apreciação do meu currículo amoroso que tenho uma postura de jogador de alto risco. All in. Ou aposto tudo ou nem sequer vou a jogo.
inspiração musical: still loving you, Scorpions
Todos nós temos um mundo dentro.
E por isso sinto intensamente todos os nossos escassos encontros como irremediáveis despedidas.
Por qualquer motivo não expresso, quando fantasio com encontros são sempre um conjunto de flashs visuais retirados de qualquer getty images da minha memória e colados qual patchwork manhoso feito por quem tem as mãos demasiado trémulas para colar aquilo com jeito.
Falamos muito de amor e de paixão. Dissecamos com mais ou menos graça, mais grosseira ou finamente estes conceitos. Dizemos que são distintos, independentes, diferentes, mas que também podem ser complementares e que podem ser nivelados um mais abaixo que o outro. Não sei se haverá outros estados, não tão referidos, ou se são logo catalogados em "paixão" ou em "amor". Falta aqui o encantamento e o deslumbramento. Com a paixão, se falta a carne,o to que, o tesão, teoricamente, desaparece. Com o amor, se falta a reciprocidade, também tendencialmente tende a desaparecer. Procuramos uma explicação. Para chamar aquele sentimento que não descola, que não acaba. "Carinho especial" parece pueril. Sinto-me o principezinho à procura.
Comecei o ano a reflectir. Não costumo fazer grandes reflexões. Mas este ano, tentei encontrar uma palavra que me guiasse. Muito graças a uma amiga que me referiu que todos os anos escolhe uma palavra que irá ser o seu mantra do ano. Ela, o ano passado escolheu reciprocidade, e eu, achando interessante, mas com alguma leveza, decidi também que iria ser a minha. É curioso como ter algo tão simples como foco nos orienta e direcciona. Assim, e com isso em mente, este ano escolhi "superação". E a medida que este Janeiro passa, apercebo-me que esta superação não será tanto de superações externas ou conquistas, mas sim de superar constrangimentos internos. Perceber que não posso mudar o mundo, mas posso mudar o modo como reajo àquilo que o mundo me trás. E que devo procurar superar as minhas fraquezas.
"Vais beijar-me ou terei de mentir ao meu diário?"
"Tens um lápis? Porque quero apagar o nosso passado e escrever o nosso futuro."
"Se nada dura para sempre, queres ser o meu nada?"
***
"Também ouço vozes. Vozes que me dizem "Se não a beijares imediatamente és um tolo."" (Do mundo nada se leva, 1938)
"Vim aqui esta noite porque, quando percebes que queres passar o resto da tua vida com alguém, queres que o resto da tua vida comece o mais rápido possível." (When Harry meet Sally, 1989)
retirados do livro "O piropo nacional" da Editora Guerra e Paz
O que teria acontecido se a química, o encontro, o timing tivesse sido num momento solto e livre?
*título retirado do livro "Úrsula, a maior" da grande, grande Alice Vieira
Adorava fazer calendários do advento giros e diferentes e artesanais, e não vou dizer que me falta tempo, que tempo eu acho que se arranja sempre, mas a pressão das mil coisas em que me meto, entre trabalho, freelancers, apresentações extra, trabalho extra do voluntariado e o voluntariado, aulas, trabalhos das aulas, lida da casa que não tenho uma "Senhora que ajuda cá em casa", com o tempo que me sobra só me apetecer não pensar em nada, comprar prendas de natal pela internet, abraçar o meu namorados e ver séries light.
Li, ou ouvi recentemente, sim, acho que foi isso, num podcast qualquer, que há pessoas que nos marcam para sempre, e que isso estará relacionado com referenciais vários, entre outros, alguns da área da dinâmica, o que me faz tremer um pouco os olhos de nervoso. Mas o verdadeiramente interessante foi a terapeuta (psicológa? psiquiatra? ) ter referido que na terapia o que aconteceu não é o ultrapassar dessas questões, que isso é um mito e que não acontece, mas é o aprender a viver com elas.
"Sempre tivemos mau timing"
"Pois tivemos."
"E se começassemos a ter bom timing? Apenas numa hora. Como seria?"
Gostava de, por uma vez, não procurar e ser encontrada,
De uma palavra contida, que sairá a rojo, impulsivamente.
De, ao folhear livros desinteressadamente, descobrir
Cartas não enviadas e declarações insuspeitas.
Gostava do sopro dramático de um insight amigo,
Daqueles que só acontecem em filmes.
Gostava de, por um dia, por uma hora, por um milésimo de segundo
Não estar tão estupidamente consciente,
Tão criteriosamente civilizada
Tão com medo do ridículo, a toda a hora.
Ser arrebatada, roubada, abduzida,
Encapsulada e amada assim loucamente.
Para mim sempre foi uma vontade incontrolável de contar histórias porque sinto as palavras a transbordarem e a saírem em jorro sem controle.
Percebi hoje (assim a um nível mais racional) que para a grande maioria das pessoas é escreverem algo e que os "outros" dêem "feedback "
Ok.
1- Há dias e entrando de máscara numa pastelaria perto de casa, uma menina com os seus 6 anos veio convictamente meter-se comigo "Tu és a nãoseiquantas do tik tok?". Eu respondi que não e ela ficou desiludida, mas continuou a falar comigo, desafiante "Sabes o que é o tik tok?".
Já posso morrer feliz, fui confundida com uma celebridade para crianças.
2- Hoje, no metro, na minha carruagem vinham dois miúdos entre os 5 e os 7 anos, com as mochilas, prontos para irem para as aulas. No momento em que pará na estação onde ambos saíem, batem as palmas duas vezes em uníssono e as portas abrem-se.
Se isto não é magia, não sei o que será.
Eu, eu era só eu.
Sem promessas, sem sonhos, sem futuro.
Com dúvidas, angústias, mil defeitos e mau génio.
Tu... tu és a guarida, o riso, o horizonte e a segurança.
Com optimismo, segurança e fé.
Dás-lhe a força, o ânimo e amor.
Eu não sei o que dava.
Eu era o mistério da noite, tu és a claridade do dia.
Sempre preferi o mundo luminoso. Como toda a gente.
"Era demasiado jovem para ter ideia de que a existência não é feita de arrebatamentos súbitos e de obstinada constância, mas de compromissos e de esquecimentos."
do O golpe de Misericórdia, da incrível e recém descoberta Marguerite Yourcenar
"Como fazes para seres tão presente nas minhas hora sainda que te não encontre nos meus dias" do Xilre :)