Fecho os olhos e vinco mentalmente os dedos na cadeira à minha frente. Sim, vou viajar anos atrás e agarrar-te naquele momento. Naquele momento em que tropeçei, insensata, presa em rotinas e quase um beijo te roubei. Sim, aquele momento em que seria infiel e fria, intensa e apaixonada, surpreendida por um arrebatamento que não era calculado. Não fingir, não me aperceber a tempo, não virar a cara uns estrategicamente graus ao lado do ângulo que pelos vistos era o certo. Não fingir que não se passa nada. Deixar ir, esquecer a moral, o bem e o mal e talvez seria assim que, eu a roubar-te e não roubada, serias atingido por algo que me atingiria. Naquele momento em que voltei a escrever uma mensagem. Perceber que talvez não. Desligar o telemóvel. Ser pragmática, olhar-te, sorrir face ao teu canto e encostar-me, como quem não quer coisa, a ti. Usar todas as armas femininas que nunca aprendi, pois sempre as soube, feitiços que vêm do berço e que sempre achei adormecidas. Brincar e troca...