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Mensagens

IMORTALIDADE

 Eu ria-me, sem maldade, mas incrédula. Era tão ingénua, ignorante. Ria-me dos que sofrem através dos tempos e dos espaços. Zombava dos que nas sombras tremem e anseiam, dos que se preocupam, mesmo sem papel, sem drama, sem protagonismo. Há um lado meu que ainda ruge ao ouvir o teu nome, que se sobressalta ao pressentir as tuas angústias, que te quer dar colo na possibilidade de estares triste, zangado ou só.   Por outro lado, sinto o ferro do fracasso e o peso húmido da banalidade nos olhos.  A humilhação do desperdício congelado. Ali, nu, para quem quiser ver. Sinto os meus risos nos ouvidos uma e outra vez. Mesmo que grite, num murmúrio, saber de que nada tenho de me envergonhar. Inspiração: "Tu foste o meu erro mais bonito"

Voltei mesmo?

 A minha vida vai dando voltas e voltas e escrever que é parte do que sou desce nas prioridades. Despedi-me e em Maio comecei um novo desafio profissional. Menos estabilidade mas mais valorização e autonomia a vários níveis. Quero ensinar ao meu filho que não pode ter medo de correr atrás do que o pode fazer feliz, mas mais importante, não ficar onde está infeliz, pensado que os ses tem significado. Emocionalmente e profissionalmente. Ser mãe é maravilhoso. O sorriso do meu filho preenche recantos da minha alma que nem sabia que existiam. É uma banalidade, mas conto pelos dedos da mão as vezes que senti isto na vida desta maneira. Agora basta o sorriso dele todos os dias. Tornei-me uma pessoa mais confiante desde que sou mãe. Também mais empática. Melhor não sei. Mas mais focada no que é realmente importante.  Mas no entanto... escrever faz-me falta. Deixar sair o que me vai na alma, nos anos, na memória, na criatividade, no desejo incontrolável de controlar emoções, contradit...

Aqui volto, aqui estou

 - Com um bebé de 9 meses que é uma energia positiva na minha vida e que já me ensina tanto - Com o doutoramento parado - Com a coragem para me despedir e iniciar outro projeto (mais incerto, mais duro, mais interessante, mais desafiante) - A tentar segurar muitas bolas... como mãe, mulher, amiga, filha, companheira, trabalhadora . - A equilibrar full time job com vários(!) part-times porque , como toda a gente sabe, isto não está fácil para quase ninguém - A tentar perceber mesmo como será que as mães solteiras conseguem, a admira-las muito, e a agradecer não estar nessa situação - A tentar segurar alguns cacos do coração,: há dois anos o meu pai, agora, a minha heroína, a minha avó.  - A agradecer a sorte, o timing ou o quer que chamem a isto de  ter encontrado e estar com alguém, que independente dos momentos maus, desafiantes,  seguimos fortes. Amo-te.  És um companheiro e pai incrível.  - A pensar também "fodasse, do que me livrei". O mundo gira :)

Pensamentos da gravidez

1- Curiosamente a altura em que me senti mais vulnerável, a precisa mais de me sentar, a sentir que precisava de passar a frente de filas e que não conseguia fazer esforços, foi quando a barriga mal se notava. Agora de 6 meses, apesar de não poder correr, sinto-me lindamente e nada pesada.  2- Aquela parte de passar de dormir 6 horas para 10 nos primeiros meses é só assim horrorosa. 3- Como assim enjoar (de dar vómitos mesmo) do cheiro a café, que é só um dos cheiros que mais adoro no mundo? 4- Isto é tudo muito lindo, mas morro todos os dias por comer sushi. Mal parir quero, ainda na sala de partos 40 peças no mínimo por favor.  5-"Tens de abrandar" AH AH AH.  6- Não tinha preferência nem curiosidade em saber o sexo da criança.  7- Agora sei e estou esmagada pela responsabilidade de vir a criar um ser humano. Que quero  acima de tudo que seja íntegro e honesto, essas qualidades tão antiquadas e tão mal vistas hoje em dia.  8- Estou a adorar o corpo de gráv...

Impressionante

 O que basta, apenas uma semente, apenas uma gota, apenas uma ligeira mudança, para todas as prioridades mudarem, e todos os sentimentos se condensarem em si próprios e nortearem-se em direções muito especificas e vincadas.  O vento não é todo o meu resguardo, afinal.  E o destino da flor pode ser desabrochar. 

Take VI

 Não sei quem és tu, mulher, Com esses olhos que me fixam Com essa gargalhada pronta Com sentido de humor cortante e negro Mas que esconde o seu sorriso timidamente nas páginas de um livro   Não sei quem és tu, mulher Que salta sem hesitar um precipício Que faz tudo, tudo por lealdade a um amigo Que tropeça, cai, cara suada, corpo ensanguentado.  Não sei quem és tu mulher,  Corpo ondulante, mas trapaceiro Nervos na ponta da pele mas não nos atos, Comportamento imprevisto quando espero padrão. Não sei quem és tu mulher, Não sei se te quero, Mas não te quero deixar ir.   

Não sei de vocês

 Mas a mim dá-me um quentinho no coração sentir (saber?) que há pessoas que, talvez, se tivéssemos virado ao lado numa qualquer encruzilhada na vida, seriam "nossas". Mas que no caminho que fomos percorrendo, foram tendo papéis de amigos, mentores, conhecidos,  colegas, parceiros de equipa, em momentos específicos ou cenários demarcados.  Não sei de vocês mas a certeza de uma atracção mútua , não naquele momento, mas num outro plano, numa outra vida, é romanticamente irresistível.

Humanidade.

 Ela  deu dois passos atrás sustendo a respiração,  os cafés saltando das chávenas. Quase que gritou o nome do marido, estridente, arrastando no tempo, como faz, sempre, sempre, que lhe quer contar algo que acha importante. Mas segurou-se. Arregalou os olhos, apertou os lábios, num meio tempo entre a indignação, a inveja, a estupefacção. Na memória presente as mãos dele enrolados no cabelo dela, os corpos demasiado próximos, as bocas presas.  Engoliu em seco, ficou hesitante entre ir-se embora, e tentar traduzir os murmúrios rápidos prolongados por silêncios densos. Ouve tempo, desperdício, agora, esqueci, palavras soltas que a fazem corar de curiosidade, beatice e prazer, eu bem sabia, não sabendo nem um pouco. Fica estonteada pela novidade, pelo clima de mistério, pela excitação de notícia fresca, de segredo e de algo que só ela sabe.   Não se segura e corre pelas escadas. Vê o marido, na mesa de pedra do pátio, cerveja na mão, cigarro meio fumado nos ded...

Lutos III

 Não confundir a realidade com a fantasia.  O que se se possui com o que se deseja.  O que se precisa com o que se quer.  Nunca, nunca tomar decisões quando a angústia nos consome.

2021

 Encontro coisas que não sei se escrevi, se escreveram, se me escreveram, mas gosto dos verbos. Se fui eu, tenho os takes errados e este seria o primeiro.  *** Houve um dia qualquer na minha vida em que imaginei como seria se todas as relações humanas ficassem escritas. Se fossem um livro. Mais longo, mais curto, um romance, uma novela, um conto. Um poema. Desde esse dia, sempre que conheço alguém que me toca, não consigo evitar pensar como seria o livro da estória que começa nesse momento. Ou como gostava que fosse.  Este é o nosso 3º capítulo, na minha cabeça: "Volto ao sítio onde te conheci. Olho a minha cidade, a minha casa. A sensação de partir antes de chegar torna-se um lugar-comum, triste, da impossibilidade de ficar em alguém. De tocar nas pessoas, de deixar que elas me toquem, para depois partir, com um  até já  que soa sempre a  até um dia, até nunca mais.   Perco-me nesta ideia enquanto te espero. Fumo um cigarro, debruçado sob...

Mudar a narrativa

Deixa de ser quem ficou vulnerável. Muda a perspectiva. Deixa de te sentir vitimizada. Vê o outro. Sente o outro. Vê do ponto de vista do outro. Muda a lente, muda a história, muda. Muda a narrativa. Isso muda tudo.