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Do desamor

Tenho um medo enorme do desamor.
Não do fim. Tudo tem que ter um fim de alguma maneira. Mas do desamor tenho um medo enorme.

Já ouvi pessoas dizerem de outras, de peito cheio de sentimento, com palavras convictas e completas "é o homem/mulher da minha vida". E não é preciso muito tempo para afinal acabaram. Para afinal surgir outra pessoa. Que sim talvez seja desta vez.

Preocupa-me o desamor. Provavelmente chama-se sobreviver e aprender a viver com toda a bagagem emocional. Mas é algo que me dá medo e que me entristece.

Se calhar sou eu que ainda não sei o que isso. Do "amor da vida". Acho que só consigo nomear as coisas que tive, exactamente no momento em que já são passado. Tive um grande primeiro amor. Tive uma grande paixão . Tive(?) a pessoa que considero ser a minha alma gémea. (O que quer que isso signifique).

Nos momentos, no que acontece, no que estou a viver não penso muito nisso. Tento nem identificar de nenhuma maneira. Porque já vivi mais do que queria. Porque já senti o que não esperava sentir. Porque a vida dá muitas voltas. E eu posso ir sempre de peito aberto, mas já sei que provavelmente haverá feridas.

Eu sei que se gosta das pessoas de muitas maneiras. Que há vários tipos de amor. Que encontramos pessoas fantásticas ao logo da nossa vida, e que elas nos completam de um modo ou de outro.

Mas talvez por isso tenho imensa dificuldade com as definições definitivas nas relações. Há pouca coisa tão pouco definitiva como as relações. Porque é como se fosse um organismo vivo. Que muda...

Talvez por isso não cuspa no prato onde comi. Os meus amores são sagrados. Sempre. Independentemente dos ressentimentos, da dor, da mágoa e dos arrependimentos. E da vida que passa.

Acho, sei, que amo para sempre. De uma certa forma. Não sei se é fácil de compreender. Só sei que é assim. Talvez porque tenha muito medo do desamor. Deve ser por isso.




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