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Das bagagens emocionais

Aceitar que as tenho. Que as caixas tão arrumadinhas às vezes sacodem, por terramoto interno ou externo. Aceitar que faz parte de mim. Aceitar os sonhos marados, as coincidências curiosas, as saliências perceptivas e Deus, a rir dos meus planos.

Aceitar e apaixonar-me. Apaixonar-me sem reservas, mas com todas as memórias intactas. Deslumbrar-me com a felicidade que sinto, sem medo das fantasias. Aprender a viver neste descontrolo sem me julgar louca, emocionalmente desligada ou desequilibrada.

Aceitar tudo isso. Aceitar que já amei ingenuamente e totalmente e que caí num poço de onde julguei que nunca me ia erguer. E ergui-me. Aceitar que já lutei sem reservas e que achava que já não tinha energias. E tinha. Aceitar que já me apaixonei como contam os livros e cantam as canções e não fui correspondida. E que isso não me derrotou. E  que voltei a amar de novo.

Aceitar que amo quem me ama. Não apesar, mas com as rotinas, e os temperamentos diferentes, as lutas, os desafios, mas também com carinho, paixão e humor. Porque amar é pulsão, é paixão, mas também é escolha e vontade.*

*E sentir borboletas na barriga quando me trazes à cama um comprimido para as dores de garganta.

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