Quickribbon Espiral: Março 2017

quarta-feira, março 29, 2017

Afinal caiu um mito

Ao fim de quase 32 anos aconteceu o o impensável:

Queimei arroz. Mas a sério. Do género nunca-mais-vou-ver-o-fundo-deste-tacho-da-mesma-cor-que-tinha-outrora.

quinta-feira, março 23, 2017

Do verdadeiro vs inspiracional

- Nunca fui de tribos, ou de querer pertencer a uma ou outra corrente. Até o contrário, "ofende" o meu eu individual pensar que só ganho forma por pertencer a determinada tribo, grupo. Eu sou muitas coisas e por isso não posso  nem quero ser caracterizada, estereotipada por fazer isto ou aquilo ou ser deste grupo ou daquele. Mas percebo que para muitas pessoas, a maioria, o sentido de pertença e a criação de laços necessita deste tipo de bandeiras. Percebo porque faz todo o sentido. Digamos que sou uma anormalidade estatística nesse caso. E apesar de às vezes também necessitar dessa ideia de grupo (sou humana e a ideia de grupo é muito forte) noto que só preciso muito de vez em quando. E não tem nada a ver com ser solitária. Sou bicho do mato e gosto de fazer coisas só comigo, mas adoro as minhas pessoas. Só não preciso de grupos para ser feliz.

- É curioso como é fácil criar cenários perfeitos das nossas vidas pela internet. É muito fácil. É só escolher bem as palavras e o normal passa a aspiracional, idílico ou zen. Acho interessante a imagem que as pessoas querem projetar. percebo, não critico mas nada do que sou passa por aí. Cada vez mais, o que leio, o que sou e o que incorporo afasta-se  dessa ideia. 

quarta-feira, março 22, 2017

Respira e continua o teu caminho "como se o vento fosse todo o meu resguardo"

Não sabendo se é por crueldade, cobardia, distracção ou pura saudade, nesses momentos há em mim algo em que se enrola ternura, nostalgia e desagrado.

Porque já não estou aí. Ainda bem que já não estou aí. Mas passei. 



p.s. ao som de Jorge Palma- Ser do vento

Definição de generosidade

Na sexta passada depois de ter ido a uma conferência de um projeto onde tive uma pequena participação apeteceu-me mesmo muito um café, até porque ainda não tinha bebido.

Mesmo ao pé do metro que ia apanhar estava um quiosque de café, simples e humilde, sem publicidades. Um sítio normal, onde quem bebia café ou cerveja seriam os trabalhadores  das zonas à volta. Sem muita clientela portanto. Num sítio não in de Lisboa (e ironicamente a tão escassos metros de sítios tão trendy) Um sítio sem história, sem modernidade, sem ser tendência, que deve estar ali aberto há anos e anos, com a mesma clientela e um ou outro de passagem que vai para o metro.  Assinalo este facto, de ser de aspecto normal/humilde porque realmente é muitas vezes contrastante com todo o brilho de cafés e sítios mais trendy e onde dúvido que acontecesse a cena que vi.

Pedi um café ao senhor do quiosque e havia mais duas ou três a beber café e a comer qualquer coisa. Chega um senhor que trabalha para a Cais (estava com o colete amarelo vestido) e pediu uma mini. O senhor do quiosque continua a servir o que estava a fazer como se nada fosse e coloca a frente do senhor da Cais uma chamuça e continua a fazer o que estava a fazer. Foi algo tão natural que eu até pensei "será que percebeu mal, o senhor queria uma cerveja e não uma chamuça", enquanto o senhor da Cais olha e volta a olhar. Nesse momento no meio do servir cafés o senhor do quiosque  coloca-lhe à frente a cerveja. E só só percebi.  E bateu-me. Porque são estes gestos, estes grandes grandes gestos que me mostram que a humanidade é fixe. E juro que me apetecia dar beijinhos ao senhor do quiosque. E passar lá mais vezes a beber café. Só porque naquele bocadinho fez-me acreditar um bocadinho mais neste mundo.

Por isso escrevo aqui. Para me relembrar. Para quando a minha memória se esquece.

segunda-feira, março 20, 2017

Mais um ser vivo nesta casa =)

Desde que moro nesta casa em Lisboa (há um ano e 5 meses) queria ter uma planta. Sempre vivi em casas com plantas e acho que dão logo outra alegria e um ar mais bonito à casa. Não posso ter muitos pois a casa é pequena, mas queria uma para a sala de estar, e a seu tempo uma para o hall de entrada (provavemente aqui optarei por flores secas, o meu gajo é alérgico a poléns).
Como não era uma prioridade fui deixando passar até que há 3 semanas fomos à procura da nossa planta. Decidimos ir ao Orto do Campo Grande pela variedade.

Sempre gostei de plantas com folhas grandes por isso as minhas preferências iriam para a costela de adão ou a patas de cavalo - peço desculpa, mas sou do campo, não sei termos técnicos e não ia googlar só para parecer bem - mas no espaço onde a queria colocar aqui em casa, iria sufocar rapidamente, pois não teria o espaço conveniente para crescer.

Assim escolhi esta, com um crescimento mais vertical e que também tem uma folha bonita =) Estou muito orgulhosa, acho que faz toda a diferença na nossa salinha mini (redundante mas é mesmo assim) e até já cresceram umas folhas novas, por isso por enquanto ela está feliz no seu novo habitat.  No foto está um pouco à frente do seu espaço para apanhar um solinho da varanda que ela gosta =)

Para quem interessar, o vaso, não é um vaso, não queria vaso de ceramica ou de outro material semelhante, queria um cesto (de serapilheira ou de verga moldável) porque tem mais a ver com o meu gosto e encontrei este do tamanho certo no Continente. na zona de decoração. 





quinta-feira, março 16, 2017

Falando de La La Land e da canção do Festival da Canção

Gosto, gosto muito, porque me tocam em certos nervos, em pontos sensíveis que julgo insensibilizados, embotados, anestesiados ou mesmo moribundos.

quarta-feira, março 15, 2017

Sobre desporto e sobre o gostar de suar

Sou a única mulher que usa os mesmos ténis para o ginásio (para corrida ao ar livre uso outros) há mais de 5 anos não sou?

Sou a única mulher que pega nas t-shirts largas que oferecem nos trails e caminhadas e vai assim para o ginásio não sou?

Sou a única mulher que não usa tudo a condizer, justinho e super mega fashion não sou?


Fixe, gosto de mim diferente.

p.s. Gosto de desporto pelo que me faz, por suar a pontes, por sentir o corpo mais resistente e tonificado (infelizmente, pelo menos para já, não mais magro) e não, não me motiva conjuntos (outfits né?)fashions de desporto.

terça-feira, março 14, 2017

Sobre o dia da mulher - Notas

1. Sou feminista. Acho que sempre fui, apesar de há uns anos não me assumir dessa maneira por achar um rótulo demasiado forte e demasiado ligado a uma ideia agressiva, autoritária e "morte-aos-homens" que não tem nada a ver comigo. Mas agora, mais velha, com mais conhecimento e com mais noção do panorama do mundo, afirmo-o sem medos. Sem bandeiras e gritos altos, mas sem medos. Porque ainda há muitas injustiças e desigualdades. Porque em cada momento em que tenho que pensar se vou por uma determinada rua, no comprimento da saia, no comentário engraçado-machista de um colega, no paternalismo, no interromperem-me, no ganhar menos em funções iguais e na sempre malfadada falta de equiparação nas tarefas domésticas, vejo que ainda não está tudo bem.

2. Mas. não nego, e vejo todos os dias, que muitas vezes, infelizmente, e sem terem muitas vezes consciência disso, são as próprias mulheres que, de algum modo, perpetuam mitos e ideias que não nos ajudam. Porque queremos tanto ter a auto-estima elevada, mostrar que somos boas, dignas que o fazemos através de comparações que só nos humilham a todas.

3. Exemplo: Estive num jantar do dia da mulher este sábado com quase 300 mulheres. Quase no fim do jantar houve um espectáculo de dança do ventre executado muito bem por uma bailarina. Enquanto durava a dança ouvisse vários tipos de comentários, desde a barriguinha saliente da dançarina, ao facto de ser "cómico" uma dança do ventre num jantar de mulheres, até meios sorrisos e risos de gozo.

4. Porquê? Porque não somos, em geral, capazes de apreciar a dança só por si? E de ver apenas uma mulher com a coragem de se expor assim? Mostrando exactamente o oposto, que não interessa, mesmo, o corpo que temos para saber fazer aquele tipo de dança de maneira sensualona e aguerrida? E daí que estamos num jantar de mulheres? Tinha que ser um homem a despir-se para acharmos que somos as donas de mundo e etc?