Quickribbon Espiral: Sobre o dia da mulher - Notas

terça-feira, março 14, 2017

Sobre o dia da mulher - Notas

1. Sou feminista. Acho que sempre fui, apesar de há uns anos não me assumir dessa maneira por achar um rótulo demasiado forte e demasiado ligado a uma ideia agressiva, autoritária e "morte-aos-homens" que não tem nada a ver comigo. Mas agora, mais velha, com mais conhecimento e com mais noção do panorama do mundo, afirmo-o sem medos. Sem bandeiras e gritos altos, mas sem medos. Porque ainda há muitas injustiças e desigualdades. Porque em cada momento em que tenho que pensar se vou por uma determinada rua, no comprimento da saia, no comentário engraçado-machista de um colega, no paternalismo, no interromperem-me, no ganhar menos em funções iguais e na sempre malfadada falta de equiparação nas tarefas domésticas, vejo que ainda não está tudo bem.

2. Mas. não nego, e vejo todos os dias, que muitas vezes, infelizmente, e sem terem muitas vezes consciência disso, são as próprias mulheres que, de algum modo, perpetuam mitos e ideias que não nos ajudam. Porque queremos tanto ter a auto-estima elevada, mostrar que somos boas, dignas que o fazemos através de comparações que só nos humilham a todas.

3. Exemplo: Estive num jantar do dia da mulher este sábado com quase 300 mulheres. Quase no fim do jantar houve um espectáculo de dança do ventre executado muito bem por uma bailarina. Enquanto durava a dança ouvisse vários tipos de comentários, desde a barriguinha saliente da dançarina, ao facto de ser "cómico" uma dança do ventre num jantar de mulheres, até meios sorrisos e risos de gozo.

4. Porquê? Porque não somos, em geral, capazes de apreciar a dança só por si? E de ver apenas uma mulher com a coragem de se expor assim? Mostrando exactamente o oposto, que não interessa, mesmo, o corpo que temos para saber fazer aquele tipo de dança de maneira sensualona e aguerrida? E daí que estamos num jantar de mulheres? Tinha que ser um homem a despir-se para acharmos que somos as donas de mundo e etc?


1 comentário:

Madrigal disse...

Espiral, é verdade que muitas vezes são as próprias mulheres a fazerem mal às outras. Eu tenho uma teoria para isso. Durante séculos as mulheres não tinham outra "carreira" que não fosse o casamento. No entanto conhecer o homem não era igual aos dias de hoje. Em geral eram nos bailes e outras reuniões que se conheciam. Era um pouco do género: és gira e tal, tens fortuna então podemos casar. Mas a concorrência era muita. Na minha opinião foi ai que surgiu a necessidade de criticar negativamente as outras mulheres para não se perder um bom partido. :D
Claro que isto é apenas uma teoria, mas posso-te dizer que ao ler alguns livros achei que a teoria era boa, modéstia à parte.

Eu pessoalmente adoro dança do ventre e acredito que não seja nada fácil tanto o dançar como o expor do corpo...