Quickribbon Espiral: Agosto 2013

sábado, agosto 31, 2013

Se calhar sou feminista e não sabia

Apesar de, enquanto psicóloga perceber perfeitamente os mecanismos sociais e cognitivos que levam as pessoas a quererem (consciente ou não) enquadrar-se em perfis, em estereótipos, juro que como ser humano e especialmente como mulher, isso não só me é completamente estranho como ser humano único, como me ofende como mulher pensante, inteligente e que tem a mania que pensa.

Este assunto advém de ter acabado de ver algures na internet um produto de manicure, que consiste em desenhos para as unhas divididas entre vários tipos de temáticas. E as temáticas seriam vários tipos de mulheres, a ver: a princesa (com laçinhos laçarotes e rosas), a rebelde (com tatoos e afins), a hipster (com ocúlos e a cena dos bigodes muito na moda), a professora (ar de senhora composta), a turista (viagens e afins), a rockeira (rock e rock), a sailor (estão mesmo a ver não é?), entre outras...

E juro que isto no mínimo me melindra um pouco.... porque eu como mulher sou tanta coisa que não se enfia assim em sacos tão pequenos e redutores, tendo tanto de uma como tanto de outra e tanto de mim própria que não há perfil, persona ou padrão onde me encaixe....

E claro que eu sei que isto é para vender, e são facilitadores de temática de produto, e têm conceitos inerentes e assim, mas no mínimo isto apenas serve para continua a validar padrões de comportamento tanto daqueles que interagem connosco, como reforça percepções cognitivas muitas vezes erradas sobre o nosso sexo. E isso é grave. Porque limita-nos, coage-nos, mesmo que muitas vezes não tenhamos noção disso.

quinta-feira, agosto 29, 2013

Do amor

Se há alguma coisa que sei que nunca vou ter inveja de ninguém é das emoções e sentimentos que já senti. Das relações que tive, dos amores e desamores, dos encontros e sobretudo dos amores desencontrados.

Tenho 28 anos, não fui nada precoce (sempre fui do "não sou capaz" e "quem sabe um dia quando eu quiser ou poder ou estiver preparada", e claro o "se calhar nunca ninguém me vai amar e fico solteira para sempre") e acredito que ainda me falte viver muita coisa, e estou expectante em relação a isso, mas não ansiosa, o que for será e o mundo adora dar voltar de 180º , especialmente nos momentos em que julgamos em que esta tudo em banho-maria, ou pior quando julgamos "assim é que está bom".

Por isso, em relação ao amor, sinto-me, preenchida e completa. Já vive sentimentos tão díspares, tão profundos e tão diferentes, por pessoas tão especiais, que porra, só posso estar muito agradecida às parvas das minhas parcas. Porque apesar de tudo, amei no mesmo, ou em maior grau do que o que sofri. E isso não tem palavras, nem medidas, nem falsos alcances.


Já vivi um primeiro amor. Daqueles de que os poetas falam, que os livros de romances romanceam demais e que são tão sobrevalorizados e subvalorizados. Não há nada como o primeiro amor. Verdade. Tão só e apenas porquê é o primeiro.

E depois há os outros. Onde dás muito de ti, onde já sabes, onde já aprendeste, e lutas, como já sabes lutar. E as armas não chegam, porque os outros também têm passados e medos. E acaba-se por ser preciso e não porque chegou ao fim como diria a cantora que me ensinou a gostar de música.

Vivi amores especiais. Quem nunca quis viver um amor envergonhado, um amor "proibido", um amor que tem que ser recalcado "porque sim". Aqueles amores que perduram, que ficam, que se misturam na história da gente. Um amor de sempre, para sempre. De almas gémeas. Um amor como só consigo comparar em termos de sintonia, de sinergias, de energias ao da Celine e do Jesse. Mas sem a parte fantástica dos bons alinhamentos cósmicos.

Vivo um amor completo. Porque o amo e ele me ama. E apesar de todas as diferenças estamos ali um para o outro. Porque já vivemos doçuras e também já provamos o amargo e por isso sabemos o que vale a pena e o que dar valor. Amamos porque rimos, porque somos tão novos ainda e ao mesmo tempo suficiente maduros para tentar não cometer erros antigos.

Os meus amores não são, não foram, não serão melhores ou piores do que os de ninguém, mas não trocava as suas voltas e reviravoltas por nada.

Até à próxima volta de 180º.


Onde eu cheguei...

Vomitar num festival estando completamente sóbria

quinta-feira, agosto 15, 2013

Uma semana na aldeia VI

Queira ou não queira a nostalgia cola-se a mim, exactamente como o calor, quando chego aqui.

É aprender a conviver com isso. Com o calor, digo.

Uma semana na aldeia V

No meio de mousse de chocolate, muitos copos de ginginha e Beirão há quem se surpreenda com a minha idade. "Uhhh, tens 28???? Dava-te no máximo uns 24".

Vou decidir que isto é bom e que ando com boa cara e não que ando a regredir.

Uma semana na aldeia IV

O tempo passa devagar e também depressa. E o calor cola-se a nos fazendo parte daquilo que nos tornamos por aqui.

Uma semana na aldeia III

Corro, corro, ando de bicicleta, mas não emagreço bah

Uma semana na aldeia II

Este cantinho mesmo no meio de Portugal tem das paisagens mais bonitas do mundo. Adoro o meu Tejo.

Uma semana na aldeia

As festinhas continuam iguais e igualmente mágicas

quinta-feira, agosto 08, 2013

o tempo?

Passa devagar devagarinho.

E encontrar forças para procurar?

E para encontrar novos planos, novas estratégias?

Ir fazendo coisas. Ler muito.

Também comecei a correr de manhã. Só porque sim. Depois para equilibrar comi uma napolitana de chocolate e um Carbury de avelãs dos grandes.

Ando a preocupar-me tanto com o que como que provavelmente é por isso que não emagreço. E a ansiedade deve entupir de certeza. Aumenta as células gordas.

Ou então o ginásio e a corrida não chegam para o tempo que estou parada, a inventar coisas para o tempo passar.


Definição?

Custa-me escrever desempregada em impressos. Em selecionar essa opção quando me inscrevo num qualquer site de marcas de produtos de beleza ou outros.

É um rótulo que odeio e que se cola à pele, como se eu fosse incapaz ou burra, ou inadaptada.

Quando eu sou tanta coisa....


sexta-feira, agosto 02, 2013

Sempre fui

Uma pessoa de copos cheios ou de copos vazios. Tenho pouco espírito para o assim assim ou o deixar andar.

O meu copo vai enchendo enchendo até que não dá mais e pronto. Vai tudo. E pode doer. Pode doer muito. Mas a tomada de decisão é inevitável, e sem passos trás. Posso olhar o passado que tenho nas costas, mas nunca volto para lá.