Quickribbon Espiral: Novembro 2013

sexta-feira, novembro 29, 2013

O amor é isto e nada mais

"Ah, o amor não existe para nos fazer felizes. Acho que ele existe para nos mostrar quão fortes podemos ser no sofrimento e na paciência" (Peter Camenzind, Hermann Hesse)

quarta-feira, novembro 27, 2013

Não tem preço

Teres sempre 7/8 jantares de Natal com diferentes grupos de amigos e eles mudarem os dias consoante a tua disponibilidade porque querem mesmo que tu vás =)

domingo, novembro 24, 2013

A questão

O problema é que a memória é lixada. E muitas vezes ao seguir em frente, o momento decisivo é quando percebemos que já não é como era. E dá um medo enorme. De esquecer. De esquecer, não necessariamente  os gestos, a pessoa, o que tinham. Esse lado, mais racional, mais óbvio, mais efectivo pode ficar, pelo menos fica mais tempo, com maior ou menor grau de memórias falsas. O que me dá medo, um medo enorme é esquecer-me da importância. Da potência da dor. Do alcance da amizade. Da força do envolvimento. Do que nós sacode a alma e nos agita cá dentro. Do que nos faz apetecer vomitar e cantar ao mesmo tempo. Do que nós dá prazer e angústia. Do puro, bonito e transcendente que pode ser um sentimento. Simples assim.

Deve ser por isso que fantasio tanto. Que tenho lutos longos. Que perduro. Porque o do que é feito o amor devia durar para sempre. Mesmo que o resto não dure. E dá um medo enorme perder o que fica em nós. Porque perde-se sempre. Porque para seguir em frente, fica a lição, o erro, e pouco a pouco a réstia de dor, transformando-se todo aquele amor em qualquer coisa esbatida que muitas vezes apenas dá lugar a uma vaga nostalgia que se banaliza nas recordações das pessoas que perdemos.

Odeio, ao ter que seguir em frente matar o amor. Mas sigo.

sábado, novembro 23, 2013

Entretanto a raiva passa-me e volto aos posts do costume.

Só que hoje deu-me para espelhar os demónios que me assaltam todas as noites aqui. 

Não impede insónias, mas juro que não é mau para contrariar crises de ansiedade. 

Por outro lado,

Sim, não tenho filhos para criar (e por este andar nunca vou ter).
Não pago rendas, nem luzes, nem águas e vivo debaixo de um tecto (que se lixe a independência...).
Não passo fome. Ainda tenho um carro. Ainda posso ir ao ginásio.

Por isso estou óptima de vida. Os sonhos são para os caloiros. (Ou Gastões desta vida)

Engraçado

As únicas pessoas que conheço que dizem não dar grande importância ao dinheiro foram aquelas que nunca tiveram grande dificuldade em tê-lo ou a usufruírem do que ele proporciona.




O dinheiro não faz ninguém feliz mas facilita

- É muito triste quando tem que se decidir não ir a um aniversário de uma amiga porque há a gasolina, a prenda e o preço do menu em que pensar (15 euros) e por isso terei de recusar (eu que em tempos idos tendo que escolher entre ir a jantar e comprar um miminho para mim escolhia sempre os meus amigos).

- Ter uma crise de nervos porque se partiu uma lente de contacto, algo que nunca aconteceu em 12 anos a usar, e agora ter que pagar metade de um seguro de um carro por outra lente.

- Ter uma segunda crise e ter que devolver um determinado valor à segurança social porque pelos vistos andou a mandar-te mais do que o que devido do teu fantástico subsidio de desemprego.

- Averbar a carta para se poder conduzir ambulâncias e engolir em seco quando pedem 55 euros por isso...

- Não poder dar as prendas que queria às pessoas que mais amo. E sinceramente isto é o que custa mais.

- Ter que deixar sempre para outro mês a compra de uns calções, capacete para ir de andar de bike (emprestada); ter que correr o risco de torcer os pés em caminhadas porque também se adia a compra de ténis próprios para caminhadas em montanha.


(e nem falo aqui de querer ter um espaço meu, uma casa, um t0, qualquer coisa que isso já é sonho de luxo.)


Disto do merecimento, da justiça e dos caminhos

O mais complicado de viver numa sociedade em que se estimula o positivismo acima de tudo e o "vê sempre o lado positivo" é ter de aturar com um sorriso cansado as pessoas que com todas as boas intenções, tenho a certeza, porque são amigas, e não vêm a insensibilidade da coisa dizerem "há coisas piores, vive as coisas boas que tens e faz x ou y para te sentires melhor".

Não entendem que isso é apenas conversa de treta, fácil, fácil, vazio e fútil de quem está melhor. Melhor nos aspectos de terem um chão. Uma solidez qualquer. Um caminho que já começaram a forjar. Ou um caminho já meio caminhado. Qualquer coisa. Não quero falar aqui de aspectos práticos (sejam eles, casa, um contrato, um emprego, uma perspectiva sólida) porque há sempre o argumento "ah, mas já nada é definitivo". Pois eu sei. Mas no presente têm algo, a grande maioria algo concreto e já conseguiram fazer alguma coisa. Prática. Efectiva.

E olhando em volta tem pouco a ver com merecimentos, justiça ou caminhos escolhidos que foram tão bem estudados ou tão mal que deram aquele momento, se não perfeito, pelo menos que é qualquer coisa.

Lamento, mas não querendo que me passem a mão pelo pêlo, também odeio que me lancem areia para os olhos.

A vida não é justa. Eu sei. Por isso não preciso de realçar artificialmente as coisas boas da minha vida . Eu sei quais são.

A vida não tem nada a ver com mérito. Consigo dar 30 mil exemplos de sortudos sem mérito e de azarentos esforçados e inteligentes. E dos outros dois tipos também. Por isso a pancadinha das costas do "tens 3 mil qualidades, vais ver que arranjas qualquer coisa" (sendo o "qualquer coisa" um termo fantástico, mas adiante).

A vida não tem nada a ver com caminhos. Se a vida fosse feita de consequências fluídas e causa-efeito de escolhas certas e erradas o mundo era muito mais equilibrado.

Mas o mundo não é perfeito.

E juro que não estou amarga nem com um ataque de vitimização nem nada, mas o meu estoicismo às vezes rebenta e a insensibilidade  às situações alheias e a tentativa de minimização é algo que me irrita quando o fazem aos outros, por isso quando me toca na pele também. Porque nunca tive um mínimo de situação estável laboral, nem ordenados que substituíssem isso. Porque não tenho rendimentos extra, nem pais, marido ou namorado em situações fantásticas o que faça com que isto não seja um problema. porque não tenho património nem heranças. Porque não tenho nem nunca tive cunhas. Porque tudo o meu percurso académico e profissional parece não valer nada. Porque tenho quase 30 e zero estabilidade. Porque os meus sonhos (por mais inúteis, fúteis, valiosos, pequenos ou grandes que sejam)  estão enterrados antes de poderem desabrochar. Não porque tivessem hora marcada, mas porque há tempos e timings para determinadas coisas. E há momentos que não voltam. E isto não é vitimização, é sim constatação. Por isso não me lixem com o "pensa nas coisas boas que tens na vida e vais ver que as coisas mudam."
O que não se pode viver não muda.











segunda-feira, novembro 18, 2013

A primeira vez

Que fui a uma entrevista daquelas banha da cobra foi hoje. Para a próxima sigo o meu instinto e nem apareço. E poupo 15 euros em gasolina e portagens.

domingo, novembro 17, 2013

Descobri que adoro o Norte

1- A paisagem: A Peneda é um dos sítios mais bonitos deste Portugal. Para quem pensa (como eu) que só existia o Gerês, do outro lado da Montanha Amarela existe a montanha da Peneda, igualmente espantosa, com paisagens fantásticas, trilhos giros por explorar, e o santuário da Nossa Senhora da Peneda que é fantástico; vale mesmo a pena o tempo que demoramos por estradas e estradinhas para chegar lá.

2- O pitoresco.  Imperdível os encontros previstos e imprevistos, de carro ou a pé com as imponentes vacas mirandesas. Pacíficas, giras e fotogénicas, não arrendavam pé de onde estavam. Sejam carros, sejam humanos que passem ao lado =P

3- A comida. Adorei o restaurante Inácio em Braga. E o A Tulha em Ponte de Lima. E o restaurante do hotel onde estivemos hospedados. Boa comida, maravilhosa, de encher mesmo a barriga e muito em conta.

4- O hotel. Chama-se Peneda hotel, e é um hotel como eu gosto. Acolhedor, bonito e sem pretensiosismos bacocos. Simples e com um charme rústico que me encantou.

5- As cidades. Amo Braga. Amo Ponte de Lima. Eu seria feliz em qualquer uma delas.

6- As descobertas. Os restaurantes. A loja de brinquedos que me esqueci o nome. A loja de decoração (Margarida Clara). Uma pousada muito gira e fofa que conheci e onde quero ir um dia se possível (A mercearia da Vila). A loja de decoração. Redescobrir a minha livraria favorita (Centésima página). Os trilhos da Peneda.

5- E o mais importante. As pessoas. O pároco que surgiu como um excelente empregado de mesa no restaurante. A sua simpatia. O seu empenho. O comerciante de uma aldeia perdida nas encostas da Peneda que nos queria dar a Fifi (uma cadela com uma dona amorosa), por graça e ao desafio.


domingo, novembro 10, 2013

E também no aspecto emocional

Sou aquele tipo de pessoa que em situações de catástrofe e de crise se mantém serena, fria, concentrada. Não há pânico nem desorientação.
Mas depois, quando já está tudo descontraído, serenado e calmo, depois da tempestade passar, só quero fugir, encontrar um sítio sereno e calmo, onde possa tremer, descontrolar-me e chorar.

quinta-feira, novembro 07, 2013

Não sei bem o que isto é

"Desculpa. Estive demasiado ocupada a ser totalmente tua para me apaixonar por ti"

(podem mudar para um homem a falar. a ideia é que interessa. Só para fazer pensar.)

quarta-feira, novembro 06, 2013

8 - Fireside - Arctic Monkeys

Eu adoro artic Monkeys, mas nunca nenhum álbum deles caiu em mim como este. É completo, e parece dirigido totalmente a mim.

terça-feira, novembro 05, 2013

Aí Aí

Sou perita em apanhar o touro pelo cornos, perita.

Não faço ideia como, tendo esta qualidade, sou completamente anti touradas.

Do que são feitos os sonhos

Sim, talvez tenha a ver com isso. Com a minha definição de romantismo. De encontros. De amores. Dos perfeitos. Achei sempre que tinha a ver com partilhas. Com construções. Com desabafos. Com conversas apaixonantes. Sedutoras. Brincalhonas. Que há sempre uma grande história, um grande enredo, antes do culminar. Que fazem sentido. Que têm aquele "pequeno ponto no nariz". Que é no tempo que se faz o amor. No tempo da espera, dos espaços, das respirações, dos silêncios, da entrega. Da entrega recatada de um olhar, de uma pele quase demasiado perto, de um prolongar de qualquer coisa no ar, de um riso confidente.

Nos meus sonhos os grandes amores começam sempre a conversar....

E outra...

"Vou escrever-te uma carta - promete ele - Uma carta daquelas que nunca mais acabam como nos romances antigos."

(Haruki Murakami - After dark, os passageiros da noite)

Passagens

"-Não se pode dizer que seja um grande conversador. Nunca fui.
- Pois eu diria que te fartaste de conversar comigo.
-Não sei porquê, mas a verdade é que consigo falar contigo."

(After Dark, os passageiros da noite - Haruki Murakami)

domingo, novembro 03, 2013

Aparências

Infelizmente não, não estou muito romântica.
Estou frágil. E como não posso ou não consigo demonstrar como me sinto de outra maneira transponho tudo para a minha vertente mais emocional.

Porque quando estou frágil, independentemente do motivo, tudo se escapa, as comportas fechadas abrem-se, tudo parecem dúvidas, e muita coisa fica em causa. Especialmente caixas fechadas e colocadas no cimo de escadotes.


Ando com demasiado tempo livro para andar a limpar-lhes o pó, é isso.

Das melhores cenas de amor

Que li nos últimos tempos. Aquela que transcrevi em baixo.

Não interessa a realidade, apenas o que retiro dela

"...Na estrada um homem vem ao seu encontro. Aquele que ela esperava encontrar. Plena de alegria diz-lhe e repete-lhe que não saiu senão por causa dele. Tem razão, se quisermos. Quem não trás em si uma parcela de poeira, de pátria, de uma suave noite de Primavera? Esquece a razão que a levou a sair de casa, apenas as pernas se lembram disso. Vão caminhando os dois, caminham juntos, ele e ela, e quanto mais se afastam mais gente encontram. E como ela ama o companheiro de todo o seu coração, as pernas afligem-se seriamente. No entanto, vão-na levando sempre mais longe; têm dificuldades em acompanhar-se um ao outro. E eis que a estrada conduz a um certo espaço onde parece passar menos gente. Ali seria possível segredar qualquer coisa e lançar um olhar para a retaguarda. (...) E aconteça o que acontecer isso não pode ter nenhuma importância, pois um "eu sou tu" os une por todos os laços imagináveis neste mundo e burila, jovem, orgulhoso, e lasso, perfil sobre perfil, em medalhão."

(Salvo-Conduto, Boris Pasternak)