Quickribbon Espiral: Abril 2006

sábado, abril 29, 2006

Talento

Mais do que escrever o que sentimos, a verdadeira razão de ser incrível é saber que tocamos alguém especial com as nossas palavras. Saber que somos amados por isso. Não só, mas também. Escrever é sedução. Porque que não apaixonarmo-nos mais e mais a partir do que retiramos do que alguêm escreve? Ficar pelo beicinho, sentir qualquer coisa cá dentro. É menos? É encantarmo-nos com uma ilusão? Atreve-te...

Espiral

segunda-feira, abril 24, 2006

Génio

Odeio estas asas. Tão grandes. Tão densas. Terei de arrancar muitas, muitas penas se quiser voar.
Espiral

domingo, abril 23, 2006

Madonna e Celine Dion

Há cerca de três semanas, numa tarde específica qualquer, estava em Entrecampos, na Gare, à espera para apanhar o comboio para casa. Sentada, a ouvir um cd de músicas escolhidas, e muito provavelmente a pensar num assunto qualquer sem grande interesse...a não ser para mim. Nesse momento sentaram-se ao meu lado uma mãe e a filha, de cerca de 3/4 anos. Uma miúda loira de tranças como nos contos. Surpreendentemente, riu-se para mim e começou a mexer no meu leitor de cds. A mão dela disse para ela parar, mas eu disse que não fazia mal e tirei os phones. Via-se que a miúda era das que não tem medo de meter conversa com desconhecidos, mesmo que esses não façam logo grandes sorrisos. Gosto disso. Meteu conversa:
Ela - O que é isso?
Eu - É uma caixa para ouvir músicas
Ela - ah...
Eu - Não gostas de música?
Ela, muito devagar lá abanou a cabeça afirmativamente. Achei piada e perguntei-lhe o que ela ouvia. Bem, aí não hesitou:
- Madonna!
Estava eu à espera de ouvir "músicas da disney" ou do noody, logo fiquei ligeiramente surpreendida e olhei para a mãe dela que confirmou com um olhar exasperado.

Realmente apesar de tudo, as gerações não mudam muito. Lembro-me de em miúda ouvir Bon Jovi e Celine Dion. E gostava! E também que, na minha ama ouvia imensa música pimba que ela punha e cantarolava, e nós com ela. E realmente não fazem parte dos meus gostos actuais. Claro que também há outra vertente, em que influenciada pelo meu primo, mais velho que eu 5 anos, ouvia nirvana, xutos, metallica, pearl jam, radiohead, resistência, uhf e por aí...e continuo a ouvir..e a gostar. Talvez não seja necessário um grande receio pelo que as novas gerações abarcam. Acredito que também elas, como nós, tem um filtro de qualidade que lhes permitirá escolher. Por isso, tudo bem em ouvirem agora Madonna, ou D'zrt ou qualquer outro...Mais tarde saberão escolher.

Espiral

sexta-feira, abril 21, 2006

Diálogo

- Então, tudo bem?
- Mais ou menos.
-Tão?
-Estou apaixonada.
- E isso é mau?
- Não sou correspondida.
- Isso é que é mau.
- Pois é. Paciência.
- Deixa lá. É um estúpido. De certeza que não te merece.
- Talvez.
- Não sabe o que perde, ele...
- Hum hum...
- ?
- ...estúpido...

( inspirado num manga fenomenal -> I''s )

Espiral

terça-feira, abril 18, 2006

Se eu fosse

Encontrei isto....e apesar de limitador, chato de se fazer e assim...tem lá a sua piada....e pronto, acho que vale pelas justificações...porque só definir não vale....há que explicar, lol

Se eu fosse um mês, eu seria: Maio (é um grande mês, faço anos, o clima tá nice, é primavera, lol)
Se eu fosse um dia da semana: Sábado (porque é o dia que parece sempre infinito)
Se eu fosse uma hora do dia: 24h (porque é a partir dai que as emoções estão a mil)
Se eu fosse um planeta ou astro: a Terra (porque eu sou uma mistura)
Se eu fosse uma direcção: centro (porque o que importa é o agora e o aqui)
Se eu fosse um móvel: chaise longue (mas há alguma coisa melhor que este móvel para tar enroladinha a olhar para uma janela?)
Se eu fosse um líquido: lágrima (yap...por que não sou bem água....ah enfim...sou mais real)
Se eu fosse um pecado: Gula (porque sou gulosa...pronto...muito gulosa)
Se eu fosse uma pedra: Cristal (porque qualquer dia transformo-me num diamante, mas não já)
Se eu fosse uma flor: Lírio (a minha flor favorita e é gira)
Se eu fosse um clima: Quente (porque temperado é muito...temperado, vamos lá ser extremistas)
Se eu fosse um elemento: terra (porque pode parecer estável mas por baixo é um vulcão ehehe , e tem sempre escondido água subterrânea...poço de surpresas^^)
Se eu fosse uma cor: Amarelo (cor dos malucos, do sol, da alegria, da generosidade)
Se eu fosse um animal: fénix (porque é aquela coisa, renascer das cinza...cliché eu sei, mas paciência....é tão bom as vezes ser básica)
Se eu fosse um som: riso (aquele riso das crianças, cristalino, delicioso ^^)
Se eu fosse uma música: Lado a lado (porque mostra o meu lado triste, o meu lado negro e mostra um fio qualquer de esperança)
Se eu fosse um estilo musical: instrumental (sem letras...essas imagino eu...calminha, ou forte....qualquer coisa que me faça vibrar ou enternecer)
Se eu fosse um sentimento: saudade (porque ter saudade de algo significa que vivemos)
Se eu fosse uma comida: chocolate (porque adoro...não passo sem ele...)
Se eu fosse um lugar: praia (aquelas praias onde se ouve o som do mar, à noite, com um céu estrelado por cima....)
Se eu fosse um gosto: salgado (porque o doce é muito obvio....e também não seria amargo, nem picante...logo, salgado)
Se eu fosse um cheiro: terra molhada (porque tenho panca por este cheiro)
Se eu fosse uma palavra: carisma (porque gosto do som, gosto do significado)
Se eu fosse um verbo: sonhar (porque sonhar é para mim uma questão de sobrevivência)
Se eu fosse um objecto: livro de poesia (ah...claro...era...sem dúvida...daqueles que se guardam para sempre..digo eu...convencida...)
Se eu fosse uma parte do corpo: alma (e quero lá saber se não tá provado que existe....eu também não sei se existo ou se sou só um produto da imaginação de sei lá quem)
Se eu fosse uma expressão facial: sorriso (porque um sorriso é das melhores coisas que existem – quero lá saber se também é clichet)
Se eu fosse um filme: Before sunset (porque é daqueles filmes que marcam....)
Se eu fosse uma forma: Espiral (esta não preciso explicar, leiam o subtítulo)
Se eu fosse um número: 5 (é o simbolo da vida manifestada, a totalidade do mundo sensível e é o número do coração...as coisas que eu sei =P)
Se eu fosse uma estação: Primavera (porque apesar de não ter a melancolia do outono, nem a força do inverno nem a alegria contagiante do verão é...meiguinha ...lol)
Se eu fosse uma frase: “Habitar com um coração cheio um mundo vazio” (eu, eu e eu)

Espiral

p.s. será que alguém terá paciencia para ler isto tudo?

segunda-feira, abril 17, 2006

Fim do dia

Fim do dia (no lado quente da saudade)

"Esperei-te no fim de um dia cansado
À mesa do café de sempre
O fumo, o calor e o mesmo quadro
Na parede já azul poente
Alguém me sorri do balcão corrido
Alguém que me faz sentir
Que há lugares que são pequenos abrigos
Para onde podemos sempre fugir

Da tarde tão fria há gente que chega
E toma um café apressado
E há os que entram de olhar perdido
À procura do futuro no avesso do passado

O tempo endurece qualquer armadura
E às vezes custa a arrancar
Muralhas erguidas à volta do peito
Que não deixam partir nem deixar chegar

O escuro lá fora incendeia as estrelas
As janelas, os olhares, as ruas
Cá dentro o calor conforta os sentidos
Num pequeno reflexo da lua

Enquanto espero percorro os sinais
Do que fomos que ainda resiste
As marcas deixadas na alma e na pele
Do que foi feliz e do que foi triste

Sabe bem voltar-te a ver
Sabe bem quando estás a meu lado
Quando o tempo me esvazia
Sabe bem o teu abraço fechado

E tudo o que me dás quando és
Guarida junto à tempestade
Os rumos pra caminhar
No lado quente da saudade"


Para um amigo que sonha. Para um amigo que nem gosta deste estilo de música. Para um amigo que ri. Para um amigo que saberá apreciar que só é meu desejo fazer perdurar o sonho de um bar, algures no tempo...talvez junto ao "lado quente da saudade". Fizeste-me relembrar esta canção e é bom pensar no teu bar como um lugar onde estamos quentes quando lá fora está frio =)
Para o meu melhor amigo e um dos meus portos de abrigo mais fortes

Um abraço fechado*

Espiral

domingo, abril 16, 2006

Pronuncio-me

Levanto-me, transcendo do sono que me quer impor uma dormida e vou. Calço chinelos de tacões altos e saio. Deambulo por esta cidade fria que o meu vestido de verão e um par de calças de ganga coçadas não protegem. Vindo do céu, ou que sabe de baixo, um voz feminina afirma que uma gota de sentimento vale por tudo, mesmo despedaçado. Ouço um choro, dois ou três, vejo que são de uma menina que não percebe nada de futebol, de uma prostituta de lábios vermelhos vivos e de uma adolescente bonita que sorri, no meio das lágrimas. Ao pé, uma beleza exótica de roupa esfarrapada pela viagem cai junto à estrada. Aproximo-me, ponho a mão no bolso para tirar a nota que guardei para comprar um par de calças da moda, mas só retiro 40 céntimos. Suspiro. Encolho os ombros e abeiro-me da miúda explicando-lhe o que é um fora de jogo, enquanto retiro de um bolso o meu batom rosa favorito e ofereço-o à mulher de mini saia preta ao seu lado. Hesito frente à adolescente...mas ela não o faz, e abraça-me porque não sabe fazer as escolhas certas. Seguro-a, não sei o que fazer, mas fico calada. Tento ignorar os soluços que emanam dos ombros frágeis da viajante. Confundem-me. Incomodam-me. Fazem-me sentir culpada. Mas olho-a e ela estremece. Fala comigo palavras imperceptiveis de que não compreendo as sílabas mas adivinho o sentido. Orgulho de mulher e surpresa, trespassados por um balbuciar de compreensão. Pega na mochila ao seu lado e antes de partir oferece-me um echarpe rosa que ainda cheira a novo. Murmura uma ameaça e foge como uma fera ferida, para dentro de uma casa.
Eu continuo o meu caminho, passo pela aldeia que conheço desde sempre, olho a praça onde imagino um casal colado a beijar-se, rente ao chafariz. Prometo, que para a próxima trago a máquina e eternizo esse momento. Passo por uma escola, brinco com um dos miúdos, rodopiando-o para sempre e canto todas as canções da disney que memorizei desde a infância. Digo que odeio o rato Mickey e que sempre gostei do pato Donald. Uma menina ri-se e diz que hoje todas adoram o Pateta. E gozam comigo porque não tenho voz para cantar. Mas fico feliz porque já faço parte do grupo no momento em que me convidam para ir numa visita de estudo. Não posso e aceno dizendo adeus, enquanto eles correm para dentro do autocarro. Fico na paragem à espera. Pedem-me uma dedicatória de final de curso e as palavras fogem-me, mas lá escrevo sonhos recheados de até breves e de esperanças. Quando começa a chover lembro-me que ali só há cimento e prefiro seguir o cheio da terra molhada. Sento-me nas escadas do jardim e escrevo uma mensagem sem destinatário. Ignoro as vozes que se riem esquecendo-se dos amores passados e desço a estrada feita de pedras de calçada. Escorrego e caio. Deixo-me ir. Já estou magoada e ferida. E a chuva não me consegue afogar. Vou parar à beira do terminal. Os meus olhos doridos vêm que parou de chover e um homem com hálito de bêbado ajuda-me a levantar. Graceja e diz que eu devia andar de comboio. Empurra-me para dentro do vagão e acena-me com uma máscara de madeira. Eu vou, sem perceber nada. As paisagens que não consigo captar passam por mim, velozes. Sento-me, meio distraída ao pé de uma mulher que lê tarot. Ouço risadinhas e percebo que as cartas são como pequenas televisões de onde ela observa o mundo. Televisões modernas a três dimensões, já que ela com os seus dedos esguios comanda as acções dos actores. Arrepio-me e tento levantar-me no momento em que o comboio pára. O safanão faz uma garrafa com um líquido transparente partir-se. Inalo-o e sinto-me tonta. Não posso dormir! Saio depressa, mas a mulher deu por mim e sorri. Mas não me impede de fugir. Sigo, hipnotizada, pelo comboio, sento-me na carruagem do fundo, onde não está ninguém. No chão mais que pisado estão letras escritas que não consigo ler. Parto as unhas ao tentar raspar a sujidade que se entrelaça naquela que pode ser a minha verdade. Penso que cheguei tarde e que perdi metade do filme. Sinto que o momento eterno já passou e como Álvaro de Campos só me lembro do "que poderia te sido". No momento em que penso que só me resta saltar, uma fada ruiva saltita de novo. Recebo uma chamada de madrugada a convidarem-me para jogar à sueca e procura o baralho que trago sempre comigo. Mas deve-se ter perdido no meio da chuva porque só me sobra uma carta amarrotada e suja. Sai na estação seguinte e vejo que o comboio nunca saiu do mesmo sítio. Descalço-me e entro em casa depois de deixar as chaves no lugar do costume. Olho-me ao espelho, lembrando-me das rugas do sentir e do corpo que tinha medo de não vir a ter. Antes de me deitar clico no rato do pc pacientemente ligado esperando ordens.
Vou sonhar que nunca acordei e fingir que esta viagem não aconteceu.

Espiral

quarta-feira, abril 12, 2006

Campanha de "saúde"

Causou-me mal estar mal os vi pela primeira vez. Ainda me lembro. Estava a descer as escadas do metro da quinta das conchas acompanhada por uma amiga e reparamos as duas nele. Os contornos de um homem pintados a tinta branca. Como nos filmes quando querem marcar o lugar onde foi assassinado alguém. Havia pessoas a volta. Era estranho. Alguém teria morrido. Aproximamo-nos e vi-mos. Uma campanha publicitária. De prevenção. Dizendo que "antes que aconteça" deveriamos fazer exames ao coração. Made in Instituto de Cardiologia Português. Se a ideia era chocar, conseguiram....duvido é que a sensação horrivel que sinto quando avisto tão mórbida campanha ( e está em todo o lado, fui a Braga e também havia lá destes desenhos) me leve a fazer exames ao coração...por aí, duvido que alguém o faça...não é com vinagre que se apanham moscas...

Espiral

Improviso

"Tento ter a força para levar o que é meu,"...a força escapa-me e não sei o que me pertence...não tenho propriedades e não gosto de fronteiras a impedir a passagem dos não autorizados, esqueci-me de marcar o que desejo para ninguém agarrar ... "sei que às vezes vai também um pouco de nós,"...uma lágrima desnecessária, um suspiro que não volta, um nervo do coração que mesmo assim bate, roubaram-me uma alma amarrotada... "devo concordar que às vezes falta-nos a razão,"....sinto-me louca, desiquilibrada, não tenho culpa, não tenho culpa! mas o mundo pesa dentro do meu peito e sei que sou um agressor... "mas não que há razões para nos sentirmos tão sós,"...não? de certeza? nascemos sozinhos e morremos na solidão...será? grito que não mas um rosto sem feições murmura-me que sim... "vem fazer de conta,"...sonhar, fantasiar, viver numa dimensão diferente, choro ao acordar... "eu acredito em ti," ...quem? quem? não vejo esse corpo, não ouço essa voz, não sinto essa presença, não posso acreditar naquilo que os meus sentidos não emitem..."estar contigo é estar com o que julgas melhor,"...digo esta frase baixinho, mas ninguém sabe...ninguém... "nunca vamos ter o amor a rir para nós,"...juras? prometes? ameaças-me? torturas-me com tal verdade?...."quando queremos nós ter um sorriso maior"...quando? ou será antes "quanto" ou "como"....

Retiro qualquer responsabilidade de mim ao escrever este post....a culpa é dos que escrevem bem demais....como o Manel Cruz e da excelente canção que canta com os da weasel, "Casa (vem fazer de conta)"

Espiral