Quickribbon Espiral: Das cicatrizes que todos trazemos

terça-feira, outubro 19, 2010

Das cicatrizes que todos trazemos

Ao ler um post sobre tatuagens e piercings e não só apenas isso e fazendo uma reflexão sobre todos os significados que pode ter, desde os mais superficiais "ah é giro" aos mais profundos "é uma marca de vida", percebo, que pelo menos no meu caso, tem muito de poder.

Tenho uma tatuagem. Também tenho uma "doença de pele". Entre aspas porque um médico diz que deve ser, outros que não é aquela doença especifica. Já foi uma cicatriz, afinal não é, já foi uma má formação na aponevrose, fez-se uma pequena operação local, afinal não era, e a juntar à extensão horrorosa de qualquer coisa numa das minhas pernas tenho agora uma cicatriz pequenina no meio da "cicatriz" enorme (de novo entre aspas porque não se sabe). E agora é qualquer coisa ali no limbo. Que é auto imune, não contagioso, e não tem cura. E que tem aumentado. Não é perigoso (em teoria). Apenas é uma porcaria esteticamente. Em que penso sempre que estou na praia. Que não me faz sentir feminina (qualquer mulher quer ter umas pernas bonitas) e que me faz sentir deslocada em n situações. Desde as perguntas mais simples "Ah o que é isso", ao olhar de nojo, aos mentirosos (e piedosos) "ah, não se nota assim tanto". Nota-se. Noto eu quando escolho entre vestir uma mini-saia e uma saia comprida. Noto eu quando em vez de ir correr ou jogar voleibol na praia fico deitada na toalha. Noto eu quando, se me dizem que "tens um corpo bem feito" e só me apetece gritar que é tudo mentira, que o que vestimos é uma carapaça conveniente, e que assim até disfarça, quando no fim é só defeitos.

Mesmo que não sejam só defeitos. Mesmo que haja imensa coisa em mim que goste. A nossa atenção é selectiva. E grande parte da minha vai para esta "coisa". Que não é um drama. Ninguém vai morrer, e não fiquei sem um braço. Mas é algo que não controlo. Que odeio. Que faz parte de mim não me pertencendo. É demasiado visível, demasiado grande. Há sempre coisas que queremos esconder não é?

Por isso tenho uma tatuagem (já com alguns aninhos). Porque escolhi. Porque quis. Porque tive o poder para isso. Porque acredito em coisas eternas. E boas. A que tenho vai ser "remodelada" aumentada e aperfeiçoada, porque tudo se transforma, mas o significado continua o mesmo.

Há marcas que escolhemos ter e essas mesmo que doam são "nossas"; com as que não escolhemos e nos apanham, lá teremos que aprender a viver com elas.

2 comentários:

Precious disse...

É a escolha de cada um. Não nos define nem nos categoriza, mas certas pessoas acham que sim.
Sou capaz de fazer um dia, mas por enquanto ainda não tenho a certeza de um desenho que signifique o suficiente para dar o passo.

Espiral disse...

Eu até percebo a conotação negativa. São estereótipos. Agora não entendo a admiração do "mas isso é para sempre". Qual é o problema que as pessoas têm com o imutável? Eu não tenho.

E, Precious, na minha humilde opinião (ah quem não pense assim e respeito) só vale a pena se for um significado poderoso. =) Boa sorte na procura ou não do desenho certo =)